Platônico

gif balanço

Levantou do banco como se as pernas pesassem 50 quilos, e cada passo parecia afundar no concreto quente da calçada. O sol ardia, e aquela rua desprovida de árvores não ajudava na situação. Ele já não sabia mais se transpirava de ansiedade, de medo, ou se era culpa do verão. Nos passos que pareceram quilômetros ele chegou ao seu destino.

Parou alguns metros em frente ao prédio, observou mais uma vez o relógio e ajeitou a gola da camisa. O que ela diria? Já fazia um tempo que os dois sempre conversavam na lanchonete, no ônibus, no café. Ele programava seus horários só para ter a chance de encontrá-la, e sempre encontrava. Havia praticamente decorado a agenda dela, e sempre fazia parecer que o fato de estarem sempre nos mesmos lugares era pura coincidência. Mas nunca era.

E não queria continuar só como um colega, um conhecido, queria chamá-la para sair, para jantar em um daqueles restaurantes que ele não podia pagar. Queria entregar-lhe flores e ouvi-la dizer que são lindas, dançar com ela sua música favorita, e por fim, queria vê-la sorrir ao acordar do seu lado. Há meses esperava a oportunidade certa para dar o primeiro passo, faltava coragem, talvez.

Eram quase três e meia da tarde, hora em que ela sempre saia do prédio para voltar ao trabalho, caminhava alguns quarteirões sozinha antes de chegar à empresa, era o momento perfeito para interceptá-la e fazer o convite ensaiado há tanto tempo. Ele temia uma resposta negativa, apesar de saber que não era um rapaz feio ou desengonçado, ele era no máximo inseguro demais. Meio tímido, meio bobo.

Enfim três e meia e lá estava ela deixando o edifício, com um vestido branco solto que deixava os braços e colo à mostra, os cabelos presos em um rabo de cavalo alto e o rosto iluminado pelo sol que ainda ardia mas parecia não afetá-la. Era só atravessar a rua, encontrá-la e iniciar uma conversa que terminaria em um convite. Alguns passos, algumas palavras, e lá estava ela, andando rumo ao próximo quarteirão. Ele deveria se apressar se quisesse alcança-la, mas o que estava fazendo? Não se mexeu, não tirou a mão do bolso, não disse uma só palavra. Agora já perdia de vista a imagem dela dobrando o último quarteirão.

Olhou mais uma vez para o relógio, e suspirou a frase que os conformados adotam como lema:

- Bom, não era para ser...



16 comentários:

  1. Adorei seu cantinho super fofo :)
    Seguindo, segue de volta, pois uma ajuda a outra:)
    bj..
    http://dicasentreamigas1.blogspot.com.br/

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  2. Que lindo, você escreve muito bem!
    bjs

    http://www.airu.com.br/loja/madameseraphina

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  3. NOSSA que lindo, amei, é bom encontrar blog com textos como o meu awn
    seguindo, passa no meu quando der?
    Pedaços de Lembranças

    bjbj <3

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  4. Você escreve muito bem. Lindo o texto! Que pena que o personagem não se declarou para a mada. Senti uma certa pena dele por ser tão tímido e não revelar esse amor; esperar sempre a próxima vez.
    Jéssica
    http://donaurbana.blogspot.com/

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  5. Acho que esperar às vezes é complicado, deveria se arriscar mais.
    vestindo-ideias.blogspot.com.br

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  6. Tem coisa melhor do que um interesse platônico?! Já me salvou de algumas fossas, kkk.
    Bjus

    Rafa
    Rafaelando.com

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  7. Adorei o texto Ju!
    Super bonito, mas queremos ver esse casal dando certo hahaha <3
    Beijos :*

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    1. Ahasuhausha, pensei até em continuar a história viu. :P

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  8. assisti um filme onde ela(a mulher) não esperou ele(o homem) tomar coragem, afinal, duvido que elas não sabem quando ele quer, então sem demonstrar qualquer medo, mandou logo um, "e ai, vai me convidar pra sair?". Isso acontece somente na ficção? Acho que pra dar certo tem que partir dos dois tal atitude, assim fica tudo mais transparente dai em diante

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    1. O texto é fictício, mas seria interessante abordar essa questão da mulher tomar a iniciativa. Embora na história acima eu ter exposto somente a visão do homem, o que não dá pra ter ideia se a mulher corresponde o sentimento ou não. :3

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  9. que tal uma divisão de atitudes, as vezes da certo também se ela mandar um "e ai, não vai me convidar pra sair?". Dai em diante pode ficar tudo mais transparente e sair dai uma boa relação, afinal o que o deixa assim, pode ser a falta de demonstração de um lado, ou não?

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